Contexto de Design¶
1. Resumo / Abstract¶
Resumo (PT)¶
A nossa musicalidade já se manifesta desde o nascimento, ou até antes de nascermos (Parizzi & Rodrigues, 2020).
A Musicalidade comunicativa é uma teoria proposta por Malloch e Trevarthen (2009) que consiste na união da música com a palavra como meio de expressão e comunicação primórdio da nossa espécie. Malloch (1999/2000) dizia que a Musicalidade Comunicativa é uma característica da espécie humana, enquanto que as músicas e as línguas são moldadas pela cultura. Esta é uma habilidade inata que se manifesta desde o nascimento por meio de sons vocais e movimentos corporais, que fundamenta a autoconsciência, a autorregulação , a intersubjetividade e a interação solidária ao longo da vida.
Pode-se dizer que a Musicalidade Comunicativa funciona enquanto pilar da comunicação humana, pois, à diferença da comunicação através da fala, onde a forma de interação e percepção assenta na dimensão semântica da palavra, o que importa na expressão recorrendo aos “gestos musicais” é a carga afetiva inerente nas sonoridades destes mesmos gestos.
Segundo Winkler (2009), os bebés e por isso, as crianças também, são sensíveis à periodicidade rítmica (a regularidade duma sequencia rítmica), deste modo é possível concluir que a percepção da pulsação é algo que nos é inato.
Quando a Musicalidade Comunicativa é explorada e aprofundada, características como o pulso, a qualidade e a narrativa emocionais revelam-se:
O pulso enquanto coordenação que se cria na comunicação entre duas ou mais pessoas, funcionando como uma espécie de ritmo da troca de turnos de quem comunica e quem escuta. Neste ponto é interessante considerar os gestos corporais, também, meios de comunicação musicais, revelando as primeiras noções de ritmo e expressão.
A primeira linguagem, a primeira comunicação é uma linguagem do corpo. O bebé tem quase uma gramática nessa língua (Melgaço, 2013).
A qualidade emocional reflete a modularidade da expressão vocal e gestual, que varia através de atributos como o timbre, o volume e a intensidade.
As competências sensoriais, perceptivas e afetivas dos bebés e das crianças descortinam “um ser altamente complexo e organizado, preparado para a sobrevivência nas condições da espécie, apto e disponível para a construção de trocas e relações sociais” (Bortoletto-Dunker e Lordelo, 1993).
A musicalidade inata destaca-se no meio destas competências sendo que o ritmo e as melodias funcionam enquanto meio de convite à interação e comunicação para os bebés e para as crianças.
Acreditamos que as crianças devem e merecem crescer com a música num ambiente vibrante, alegre e afetuoso, pois um contexto de aprendizagem rico e estimulante como este contribui para todo o desenvolvimento cognitivo e musical da criança. A experiencia musical envolve simultaneamente várias áreas do cérebro, integrando assim, várias funções cerebrais como a percepção, a ação, a cognição, a emoção e a memória (Pantev, 2009).
É precisamente com base na teoria da Musicalidade Comunicativa que o ramo da Nestor - Toca a brincar! - surge com a crença e a vontade de fortalecer os laços sociais e relacionais entre as pessoas recorrendo à vista, à escuta e ao sentir da música.
Dado que os três brinquedos seguem a mesma funcionalidade de interação - funcionando tanto como instrumentos musicais quanto puzzles de encaixes - as possibilidades e modos de brincar com cada um dos brinquedos, ou com todos ao mesmo tempo, tornam-se inúmeras, não colocando nenhum travão à criatividade das crianças.
Abstract (EN)¶
Our musicality manifests itself from birth, or even before we are born (Parizzi & Rodrigues, 2020).
Communicative Musicality is a theory proposed by Malloch and Trevarthen (2009) which consists of the union of music and speech as the primordial means of expression and communication for our species. Malloch (1999/2000) said that Communicative Musicality is a characteristic of the human species, where as music and languages are shaped by culture. This is an innate ability that manifests itself from birth through vocal sounds and bodily movements, underpinning self-awareness, self-regulation, intersubjectivity and supportive interaction throughout life.
It can be argued that Communicative Musicality functions as a pillar of human communication because, unlike communication through speech — where the form of interaction and perception relies on the semantic dimension of the word — what matters in expression using "musical gestures" is the affective weight inherent in the sounds of these very gestures.
According to Winkler (2009), babies, and therefore children too, are sensitive to rhythmic periodicity (the regularity of a rhythmic sequence); thus, it is possible to conclude that the perception of pulse is something innate to us.
When Communicative Musicality is explored and deepened, characteristics such as pulse, quality and emotional narrative reveal themselves:
Pulse as the coordination created in communication between two or more people, functioning as a kind of rhythm in the turn-taking between speaker and listener. At this point, it is interesting to consider bodily gestures as musical means of communication too, revealing the first notions of rhythm and expression.
The first language, the first communication, is a language of the body. The baby possesses almost a grammar within this language (Melgaço, 2013).
Emotional quality reflects the modularity of vocal and gestural expression, which varies through attributes such as timbre, volume and intensity.
The sensory, perceptual and affective skills of babies and children reveal "a highly complex and organised being, prepared for survival within the conditions of the species, capable and ready for the construction of social exchanges and relationships" (Bortoletto-Dunker and Lordelo, 1993).
Innate musicality stands out among these skills, with rhythm and melodies functioning as a means of invitation to interaction and communication for babies and children.
We believe that children should and deserve to grow up with music in a vibrant, joyful and affectionate environment, as a rich and stimulating learning context like this contributes to the child's entire cognitive and musical development. The musical experience simultaneously involves multiple areas of the brain, thereby integrating various brain functions such as perception, action, cognition, emotion and memory (Pantev, 2009).
It is precisely based on the theory of Communicative Musicality that the branch of Nestor - Toca a brincar! - emerges, driven by the belief and desire to strengthen social and relational bonds between people through seeing, listening to and feeling music.
Given that the three toys share the same interactive functionality — functioning both as musical instruments and shape-sorting puzzles — the possibilities and ways of playing with each individual toy, or with all of them at the same time, become endless, placing no limits on children's creativity.
2. Referências Coletivas¶
2.1. Recolha de Objetos a Redesenhar/Remisturar¶
objeto 1 - Módulo de construcción con tortillas
objeto 2 - castanholas tradicionais da Madeira
objeto 3 - instrumento musical infantil Lenga (rela colorida)
objeto 4 - stirring drum Thomann
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Objeto 1 — México / Damián Ortega / objeto de referência comum ao grupo tendo servido como ponto de partida para o desenvolvimento dum dos pontos de ligação entre os três brinquedos mais importante - a relação dos brinquedos através dos encaixes das peças comuns a todos
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Objeto 2 — Ilha da Madeira / povo fenício / instrumento musical de referência para a criação das Castanholas Nestor
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Objeto 3 — Portugal / Lenga / instrumento musical de referência para a criação da Matraca Nestor
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Objeto 4 — Suécia / Nino/Thomann / instrumento musical de referência para a criação do Xilofone Flor Nestor
2.2. Moodboard¶
Painel de referências visuais e conceptuais que orientam a estratégia do grupo.

3. Embalagem¶

4. Referências Bibliográficas¶
- Bortoletto-Dunker, A., Lordelo, E. (1993). Um novo bebé: interpretações sobre competências.
- Malloch, S., Trevarthen, C. (2009). Musicality: Communicating the vitality and interests in life.
- Malloch, S. (1999/2000). Mothers and Infants and communicative musicality. Musicae Scientiae.
- Melgaço, R. (2013). O bebé e as palavras: uma visão transdisciplinar sobre o bebé. São Paulo: Editora Instituto Langage.
- Pantev, C. (2009). Musical training and induced cortical plasticity.
- Parizzi, B., Rodrigues, H. (2020). O BEBÊ E A MÚSICA. Instituto Langage.
- Winkler, I. (2009). Newborn infants detect the beat in music.